quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Jovens engravidam menos e diminuem taxa de natalidade

Um dado bem interessante foi conhecido esta semana: a diminuição da taxa de natalidade entre as jovens. Para se ter uma ideia, 200 mil crianças deixaram de nascer por ano graças a isso. É como se uma cidade média, com mais de 200 mil habitantes, deixasse de sair das barrigas das adolescentes brasileiras por ano. Algo do porte de São Carlos ou Americana (ambas no interior de SP) só de bebês chorando.

Em dez anos o número de partos em menores de 19 anos, diminuiu em quase 40% no Brasil. Na semana retrasada, o governo paulista divulgou dados parecidos referentes ao Estado.

O governo paulista atribuiu a queda às suas ações de conscientização e distribuição de preservativos e anticoncepcionais. Um médico e um estatístico especialistas no assunto consultados, porém, apontam um fator mais importante.

“Se a adolescente não tem projetos de vida, a gravidez vira o projeto de vida”, resume Marco Aurélio Galletta, médico responsável pelo setor de gravidez na adolescência do HC (Hospital das Clínicas).

“Muita gente subiu para a classe C nos últimos anos. Essas pessoas têm uma perspectiva melhor de estudo e trabalho do que há vinte anos.”

Edson Martinez, da USP de Ribeirão Preto, lembra, contudo, que a taxa de gravidez no Brasil ainda é alta –mais de 400 mil grávidas ao ano. “Se o crescimento econômico significa apenas aumento do poder de consumo, não basta.”

Martinez e Galletta citam ainda que famílias ricas têm mais acesso ao aborto – a taxa de partos pode ser mais baixa entre eles, mas a de gravidezes nem tanto. “Adolescente é adolescente. Eles são imediatistas e um tanto irresponsáveis em qualquer classe social”, diz Galletta.

Quero ser mãe

Dados de hospitais como o HC e o Hospital Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha, localizada na zona norte da cidade de São Paulo quebram alguns mitos sobre grávidas adolescentes.

Thauany, 16, que mora na Brasilândia (periferia da zona norte) e foi atendida nesse segundo hospital, representa bem algumas características das adolescentes que têm filhos.

Como a maioria, tinha um relacionamento fixo antigo, de três anos. Os dados mostram que poucas gravidezes são fruto de sexo casual.

Outra imagem errada é a do parceiro canalha que some ao saber do filho. “A maioria curte, acha que reforça a masculinidade”, diz Galletta. É também o caso de Thauany. Ela conta que, no começo do ano, combinou com o “marido”: parariam com a pílula e a camisinha. Ela está de sete meses. Mora com a mãe, o padrasto, o irmão e o namorado. Os R$ 800 que o parceiro ganha como repositor de mercado vão bancar a pequena Micaely Vitória. Thauany está feliz. Na escola onde cursa a oitava série, só paparicos. As amigas “falam que também querem, que é o sonho delas”.

“Grávida ganha status. Na escola, vira a mais experiente. Em casa, se deita no sofá e diz ter sede, aparece um copo d´água. É preciso mostrar para as meninas como um filho pode atrapalhar outros sonhos”, diz Galletta.


Data: 30/08/2011
Fonte: Jornalmundogospel

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